sexta-feira, 26 de abril de 2019

Intolerância à lactose ou alergia?


Muito se ouve falar sobre a intolerância à lactose. Parece haver um certo desencontro nas informações. Muitos confundem a intolerância à lactose com alergia a alguma propriedade do leite, por exemplo. Alergia e intolerância são coisas distintas.

Alergia

A alergia é a resposta inadequada e exagerada do sistema imunitário a substâncias normalmente inofensivas. Às substâncias capazes de desencadear este tipo de respostas chamamos alérgenos. O nosso sistema imunitário possui uma espécie de base de dados sobre os alérgenos que já conhece e do tipo de resposta a dar sempre que os encontrar. 

Ou seja, alergias tem a ver com uma resposta do sistema imunológico.

Intolerância

A intolerância é a incapacidade do organismo de absorver uma substância sem a intervenção do sistema imunitário. A intolerância ocorre por faltar uma enzima que as permita metabolizar uma substância. (http://www.medinfar.pt/2014/06/o-que-e-a-alergia.) Acessado em 23/06/2018.

Intolerância à Lactose.

Segundo Siegfried (2010), a lactose é formada quando os monossacarídeos, glicose e a galactose se ligam no mesmo tipo de reação. 

A Lactose é um carboidrato, o açúcar do leite. No processo de digestão, a Lactose precisa passar pela quebra da substância, e, essa quebra é realizada por uma enzima chamada lactase. Quando há ausência ou mesmo insuficiência da lactase, a quebra da Lactose não ocorre, o que causa certos distúrbios intestinais.

A quebra da Lactose, tecnicamente chamada de hidrólise, resulta na separação das duas substância anteriormente ligadas: glicose e galactose. Dessa forma, as substâncias são facilmente absorvidas.

Pode-se classificar a deficiência de lactase em três tipos: primária, secundária e congênita.

A deficiência primária diz respeito à baixa quantidade de lactase. O que dificulta a quebra da Lactose. Uma determinante genética que ocorre geralmente após a cessada a amamentação. Os sintomas da deficiência primária, podem aparecer entre 2 a 15 anos de idade, envolvendo condições culturais e raciais. CRUZ et al. (2016, pg 95).

A intolerância secundária refere-se a condições patológicas que afetam a integridade da mucosa intestinal, o que dificulta a produção da enzima lactase.

A intolerância congênita é uma disfunção de herança autossômica recessiva. Recém nascidos podem apresentar a intolerância assim que a amamentação é iniciada.

Há vários sintomas apresentados na intolerância à lactose. Distensão abdominal, flatulência, diarreia, produção de gases em excesso, e outros. 

A lactose quando não hidrolisada no intestino delgado, passa para o intestino grosso e é fermentada pela microbiota ali existente. Esse processo gera ácido e gases resultando em flatulência. Há ainda diversos sintomas sistêmicos. Dor de cabeça e vertigens são alguns desses sintomas. 

Dados estatísticos

No Brasil brancos e mulatos representam 57% dos intolerantes a Lactose, atingindo quase 100% dos japoneses 80% dos negros. 

Os grãos de Kefir contribuem com a hidrólise da lactose. Quebram o polissacarídio facilitando assim a digestão. Mesmo intolerantes, a depender do nível de Intolerância, absorvem bem o Kefir sem causar reações significativas.

Dada a alta prevalência da intolerância à lactose na população mundial, recomenda-se iniciar a ingestão em pequenas doses. O mais importante em relação aos benefícios, é realmente a frequência e não a quantidade ingerida. 50ml é um indicação que tem surtido efeito tanto em humanos quanto em animais quando sob investigação.

Bibliografia

FRANCIS, Richard. Epigenética. Rio de Janeiro. Editora Zahar, 2011.

HOUZEL, Suzana. A vantagem Humana. São Paulo. Companhia das Letras, 2017.

MYERS, Amy. Doenças Autoimunes. São Paulo. Editora WMF, 2017.

PERLMUTTER, David. Amigos da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2015.

PERLMUTTER, David. A dieta da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2016.

SIEGFRIEND, Donna. Biologia para Leigos. Rio de Janeiro. Alta Books, 2010.

LINHARES, Sérgio & GEWANDSZNAJDER, Fernando. Biologia Hoje. São Paulo: Ed. Ática, 2013.

CHALLA, Shekhar. Probióticos para leigos. Starlin Alta Editora e Consultoria Eireli, Rio de Janeiro, 2014.

CRUZ et al. Processamento de produtos lácteos. Volume 3. Elsevier editora, 2017.

CRUZ et al. Química, bioquímica, análise sensorial no processamento de leite e derivados. Elsevier editora, 2017.

Crédito:
Prof. Waldez Pantoja
Espec. Neurociências Clínica

sábado, 6 de abril de 2019

Intestino e a Saúde Física e Mental

Durante décadas de estudos sobre a saúde mental, muitas hipóteses foram levantadas. A possessão demoníaca era uma delas, mas outras também povoavam o imaginário popular. Ainda hoje, há quem afirme que estudar muito pode levar a pessoa a desenvolver transtornos mentais. Há quem diga ainda, que a falta de sexo também deixa a pessoa “louca”. Já se imaginou até que o formato da caixa craniana (frenologia) era um indício de saúde mental ou até mesmo propensão à criminalidade.
A vida hodierna tem nos levado a perda da qualidade de vida. Entre tantos fatores pode-se citar; a má alimentação, noites de sono mal dormidas, sedentarismo, o estresse diário, e, todos esses fatores juntos ou isolados, contribuem para um sistema imunológico deficitário, não funcional. O que culmina com o desenvolvimento de inúmeras doenças graves e resistentes a tratamentos convencionais. O estilo moderno de vida tem grandes efeitos negativos quando o assunto é qualidade de vida. As doenças cerebrovasculares e cardíacas estão sempre no topo da lista das causas de mortes no mundo. Mas, também acidentes provocados pela privação do sono, por exemplo.
Observa-se um acelerado desenvolvimento de alimentos que promovem o bem-estar, melhoram a saúde e reduzem o risco de doenças (MUSSATO e MANCILHA, 2007). Nos últimos anos, tem crescido bastante a consciência em relação a hábitos alimentares saudáveis. Embora, ainda estejamos longe de um ideal coletivo.
O intestino também é um órgão endócrino, não apenas um repositório fecal ou de resto alimentar. Por exemplo, ele regula nosso sistema imunológico. Produz diversos hormônios, entre eles, 95% da serotonina, o hormônio do bem estar, que também é um precursor da melatonina, o hormônio indutor do sono. Sabe-se que o intestino, às vezes chamado de segundo cérebro, tem uma enorme parcela de contribuição em relação à saúde, tanto física quanto a mental. Pode-se dizer que o intestino tem função endócrina, imunológica e até neurológica.
Mas, quem é o grande responsável por tudo Isso? Em grande parte as bactérias que nós abrigamos em nosso corpo. Para cada célula humana, há cerca de 1.3 outras alienígenas. Bactérias, vírus, fungos, e outros, variando para mais ou para menos. Uma convivência que tanto pode ser harmoniosa e favorável, quanto desfavorável.
As bactérias que vivem em nosso corpo se alimentam das mesmas substâncias que nós. De acordo com o que ingerimos, essa população vai mudando, sendo equilibrada ou mesmo desequilibrada. Se determinada população nociva aumenta, a saúde pode está em risco. Esse desequilíbrio chama-se disbiose.
A depender do tipo de alimento com os quais abastecemos esses seres, teremos saúde ou doenças. As bactérias nos acompanham desde o nascimento até a morte. Já ao nascermos recebemos uma carga enorme de organismos microscópicos. A primeira inoculação acontece ainda no parto. Isto é, se for de parto normal. As cesarianas deixam as crianças desprovidas e sujeitas a problemas de saúde em maior número do que as de parto normal, justamente por não terem sido inoculadas pelas centenas de milhares de bactérias logo ao nascer. As infecções podem se manifestar ainda nos primeiros dias de vida.
Nos últimos 50 anos as doenças autoimunes e problemas de intolerância alimentar triplicaram. Diabetes tipo I, tipo II, psoríase, lúpus, esclerose múltipla, doença celíaca, fibromialgia, problemas na tireoide, entre outras de altíssima gravidade. Grande parte dessas doenças podem ter início justamente no intestino com uma flora intestinal desequilibrada. O ambiente funcionando como gatilho para ativar determinados genes. Esta é a conclusão de pesquisadores tais como Amy Myers, Alanna Collen, Frederick Backhed, David Perlmutter, e diversos outros. Hipócrates, o pai da medicina, já alertava que todas as doenças começam no intestino.
Existe uma relação direta entre intestino e cérebro. Essa relação se dá através do nervo vago e da produção de determinadas substâncias que influenciam questões desde o humor até outras de maior complexidade. Uma relação que afeta diversas funções do corpo. O nervo vago faz essa ponte intestino/cérebro. Um sistema de “feedback” em ação. Aí entra o estudo da microbiota e sua relação com as inúmeras doenças do século XXI.
Microbioma, flora intestinal, microbiota, são conceitos relacionados com a população de microrganismos vivendo em nosso intestino. São trilhões de bactérias, a maioria nos faz bem.
Quando se pensa em bactérias, logo vem à ideia de doenças, e por consequência, o extermínio usando antibióticos, é a primeira ideia. Mas, nem sempre e nem todas estão relacionadas a doenças. O equilíbrio e o tipo delas faz toda diferença.

Antibióticos

A Penicilina, o primeiro antibiótico. Desde a sua descoberta em 1928 por Alexander Fleming, os antibióticos vem sendo usado quase que rotineira e indiscriminadamente. A partir de 1940, o uso dos medicamentos se intensificou. Hoje em dia, o controle por órgãos de saúde, tem buscado evitar a automedicação por vários motivos, mas o principal, se dá por conta da resistência de microrganismos aos antibióticos. Quanto mais se usa, mais resistentes eles se tornam, o que dificulta o combate a doenças causadas por esses organismos.
Difícil encontrar nos dias atuais, alguém que não tenha usado antibióticos em algum momento da vida. Às vezes, horas depois do nascimento, já se faz uso de tais medicamentos. Quando usado com critério, faz bem porque elimina o patógeno. Mas, junto com o causador da doença, os antibióticos eliminam também todo um conjunto de outros organismos necessários à saúde. Aí que o problema pode ser ainda maior que a própria doença tratada. Isso ocorre, porque, ao se fazer uso dos antibióticos, a microbiota afetada, não é reposta. Ficando assim, um déficit de boas bactérias que farão uma falta enorme para o bom funcionamento tanto do corpo quanto da mente.
Os antibióticos foram e talvez ainda continuem sendo indiscriminadamente usados para engorda de animais. O frango, bovinos, suínos e outros. Assim que se descobriu que seu uso, também resultava em engorda desses animais que nós consumimos. O efeito engorda se dá pelo desequilíbrio causado na microbiota.
Pessoas magras tem determinada flora, diferente das obesas. Sabendo disso, experimentos em ratos e até em humanos, resultaram em transplante fecal. Ratos obesos se tornaram magros ao receberem uma microbiota de indivíduos também magros. Ou Ainda, humanos tratados de infecção intestinal causada pela Clostridium Difficile; um Bacilo Gram-Positivo altamente agressivo que pode causar inclusive a morte. Usando a técnica de transplante fecal, a Bacterioterapia, humanos têm sido curados. Hoje há pesquisas com a Terapia de Ecossistema Microbiano.
As bactérias em nosso corpo podem ativar ou mesmo desativar determinados medicamentos. Tornam-se resistentes aos antibióticos quando há exagero e uso prolongando.

Probióticos e Prebióticos – Alimentos Funcionais.

Há diversas publicações sobre a Síndrome do Intestino irritável. A dr. Myers chama de Intestino Permeável. Um intestino poroso permite que determinadas substâncias ultrapassem a mucosa intestinal. A causa está sempre no tipo de alimento consumido, o que também alimenta as bactérias em nosso microbioma.
O Alimento funcional é um alimento semelhante em aparência ao alimento convencional; consumido como parte da dieta usual; capaz de produzir demonstrados efeitos metabólicos ou fisiológicos úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental, podendo auxiliar na redução de riscos de doenças crônico-degenerativas, além das funções nutricionais básicas (HEALTH CANADA, 1998).
O termo antibiótico significa, contra a vida. Probiótico, a favor da vida. Nesse contexto, entram os Probióticos e os Prebióticos como agentes de prevenção, e até tratamento de diversas patologias causadas pelo desequilíbrio da microbiota.
Probióticos são produtos tanto farmacêuticos como alimentares que contêm micro-organismos vivos, entre eles os lactobacilos e as bifidobactérias.
Prebióticos são alimentos, em especial, as fibras que estimulam a proliferação ou atividade de populações de boas bactérias no intestino.
O consumo de produtos adicionados de culturas probióticas está relacionado a efeitos benéficos em humanos, como: síntese de vitaminas e proteínas pré-digeridas; aumento na absorção de cálcio; inibição de patógenos no intestino; alívio da constipação; redução da intolerância à lactose; redução da incidência de tumores intestinais; diminuição do colesterol sérico; entre outros (SANDERS, 2003; SHEIL et al., 2007).
Alimentos tanto podem curar quanto nos adoecer e até matar. A chamada Medicina funcional tem por base a cura com base nos alimentos e o controle do ambiente que nos afeta. Aquilo que comemos, determina nosso nível de saúde. A medicina convencional busca a cura nos fármacos, drogas que sempre trazem efeitos colaterais, às vezes, tão graves quanto à própria doença.
Segundo HOUZEL (2017) sofremos hoje por termos condições de consumo de calorias em excesso. Não temos que correr risco para obtermos mais calorias, elas estão disponíveis em supermercados, nas prateleiras cheias de facilidades com apetitosas guloseimas.
Alguns ótimos alimentos dentro dessa linha dos Prebióticos e Probióticos que promovem saúde e bem estar. Há diversos outros.
  • Kefir – Leite fermentado
  • Iogurte
  • Chucrute – Repolho Fermentado
  • Chocolate escuro – Cacau (antioxidante)
  • Microalgas
  • Sopa de Miso
  • Kimichi (Conserva de repolho coreano).
O mercado de alimentos funcionais representa uma demanda nova do consumidor informado, que busca alimentos diferenciados (STRINGHETA et al., 2007).
Quando o assunto é saúde, nem tudo que nos afeta está ligado à genética. Para que muitas doenças se desenvolvam, é necessário um gatilho que dispare, ative aquele gene que vai nos afetar. Os estudos em epigenética explicam essa relação. Aí entram o ambiente e os alimentos que ingerimos, e, que irão alimentar as bactérias, tanto nocivas quanto benéficas a nossa saúde.
Embora muitos especialistas possam divergir quanto a determinados alimentos benéficos ao ser humano, existe uma unanimidade, o consumo de fibras em maior quantidade do que as carnes, gorduras e outros, melhoram em muito a saúde. Probióticos e Prebióticos precisam fazer parte de nossa rotina alimentar.
A expectativa de vida aumentou bastante nas últimas décadas. Viver muito com qualidade de vida deve ser o lema. De nada adianta viver muito, mas doente em um leito de hospital ou dependente.

Bibliografia
FRANCIS, Richard. Epigenética. Rio de Janeiro. Editora Zahar, 2011.
HOUZEL, Suzana. A vantagem Humana. São Paulo. Companhia das Letras, 2017.
MYERS, Amy. Doenças Autoimunes. São Paulo. Editora WMF, 2017.
PERLMUTTER, David. Amigos da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2015.
SIEGFRIEND, Donna. Biologia para Leigos. Rio de Janeiro. Alta Books, 2010.
COLLEN, Alanna. 10% Humano. Rio de Janeiro. Editora Sextante, 2015.

Saúde Mental & Probióticos



INTRODUÇÃO

A ansiedade é um entre tantos males que assolam a civilização moderna. Acompanhando a ansiedade vem, a depressão, síndrome do pânico, angústia, estresse, insônia e agressividade, entre outros distúrbios relacionados. Mas, para todos esses sintomas, há sempre uma causa, e também a cura.

A ciência não tem medido esforços em busca de melhor compreender as causas, os fatores que desencadeiam tais transtornos que afetam desde crianças até idosos.

Os resultados recentes das pesquisas evidenciam que micróbios intestinais podem influenciar áreas no córtex pré-frontal e na amígdala, regiões cerebrais associadas à depressão, ansiedade e vários outros distúrbios.

Esta é a conclusão de uma pesquisa publicada no jornal de acesso aberto MicroBiome. O estudo concluiu que as bactérias intestinais podem influenciar o comportamento, segundo o Dr. Gerard Clarke, autor da pesquisa.

Fonte: BioMed Central.

As pesquisas

Pesquisas anteriores já demonstravam que a manipulação do microbioma intestinal afeta o comportamento. Até porque diversos hormônios são produzidos no intestino. Entre eles a Serotonina (hormônio relacionado ao bem estar) e o GABA. A ação inibitória e excitatória do neurotransmissor GABA, está relacionada com o comportamento agressivo e impulsividade em humanos. Hormônios estão sempre a "influenciar" uns aos outros.

Os resultados de pesquisa publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, também conclui que bactérias intestinais influenciam o comportamento do hospedeiro, tanto animais quanto humanos.

As bactérias interagem com o cérebro enviando sinais químicos por meio de um nervo chamado pneumogástrico, ou nervo vago como também é conhecido. Esta é uma descoberta recente.

Esse nervo conecta o cérebro a vários órgãos internos, como os pulmões, intestino e inclusive o coração. É através dele que o cérebro percebe como estão estes órgãos e responde aos sinais eletroquímicos.

Foco na causa

Sabendo que as bactérias intestinais podem afetar o funcionamento cerebral, desde o humor, apetite e ritmos circadianos, a Ideia é o acesso direto, foco nas bactérias usando tanto os probióticos quanto os prebióticos e paraprobióticos.

A psicobiótica

Psicobióticos são definidos como probióticos que, quando ingeridos, influenciam positivamente a saúde mental (Dinan, Stanton & Cryan, 2013).

Os psicobióticos podem reduzir o estresse, a ansiedade, melhorar o humor, é inclusive alterar o comportamento.

Busca-se estratégias para inserir bactérias no intestino que alterem também a resposta cerebral. As perguntas ainda são muitas, mas avançamos. - Quais dessas bactérias alteram o que exatamente, e, em que proporção? É uma dessas perguntas que vem sendo respondidas.

O termo psicobiótico é recente, falta ainda uma melhor definição. Mas entende-se a relação tanto dos probióticos quanto prebióticos e paraprobióticos com funções cerebrais. Somente nos últimos 15 anos as pesquisas se intensificaram em busca da relação intestino e funções cerebrais.

Estudo publicado na revista on-line, Frontiers in Behavioral Neuroscience, Monika Fleshner, da Universidade do Colorado, Boulder, nos diz que a ingestão regular de prebióticos pode estimular bactérias intestinais benéficas e promove a recuperação de padrões de sono normais após um episódio estressante. O estresse agudo pode perturbar o microbioma intestinal, diz também o pesquisador Dr. Agnieszka Mika, co-autor da pesquisa.

Os probióticos em ação

• Tomar um probiótico durante a gravidez pode ajudar a prevenir ou reduzir a depressão pós-Natal e sintomas de ansiedade.

Fonte: Universidade de Auckland.

• O Lactobacillus probiótico pode reverter sintomas de ansiedade. Estudo de laboratório em camundongos, pode confirmar o achado em humanos também.

Fonte: University of Virginia Health System

• Pesquisadores da Universidade do Missouri, usando um modelo de peixe zebra, determinaram que um probiótico comum vendido em suplementos e iogurte pode diminuir o comportamento e a ansiedade relacionados ao estresse.

Fonte: Universidade do Missouri.

• Em um novo ensaio clínico, os cientistas mostram que uma dose diária de bactérias Lactobacillus probióticas e Bifidobacterium tomadas ao longo de um período de apenas 12 semanas é suficiente para produzir uma melhora moderada, mas significativa em pacientes idosos de Alzheimer.

Fonte: Mischa Dijkstra - Frontiers

• Estudo reafirma o vínculo entre bactérias intestinais e alterações na função intestinal e cerebral.

Fonte: McMaster University.

• Um novo estudo relata o papel que os gasotransmissores, (substâncias gasosas produzidas no intestino), desempenham no comportamento e na questões psicológicas.

Fonte: Lomonosov Moscow State University.

• O uso de probióticos ajudam a administrar gases para melhorar a saúde humana e promover um comportamento adequado.

Fonte: Vladimir Koryagin - Lomonosov Universidade Estadual de Moscou

Não é difícil entender e compreender a importância do sistema gastrointestinal e toda a microbiota envolvida em diversas funções, tantos físicas quanto mentais altamente complexas. Uma relação intestino cérebro com seus 86 bilhões de neurônios.

O frio na barriga, aquela cólica terrível face a um trauma ou forte emoção, um desarranjo intestinal antes de uma prova, exame. A espera de uma resposta que causa ansiedade e nos afeta também o intestino. Elo devidamente estabelecido. Intestino/cérebro.

Ignorada por muitos, que muitas vezes preferem se automedicar com antibióticos até para gripes e resfriados, coisa que não funciona, A DISBIOSE pode trazer consequências graves a saúde, tanto física quanto mental. Ela ocorre quando a quantidade de bactérias benéficas se encontra em número inferior em relação as patogênicas.

Conclui-se que, a consciência alimentar, significa saúde também, quando adquirimos conhecimento que nos beneficia e colocamos em prática. Saber e não usar aquilo que se sabe, é o mesmo que não saber.

Saúde!

Bibliografia

FRANCIS, Richard. Epigenética. Rio de Janeiro. Editora Zahar, 2011.

HOUZEL, Suzana. A vantagem Humana. São Paulo. Companhia das Letras, 2017.

MYERS, Amy. Doenças Autoimunes. São Paulo. Editora WMF, 2017.

PERLMUTTER, David. Amigos da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2015.

PERLMUTTER, David. A dieta da Mente para a vida. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2016.

SIEGFRIEND, Donna. Biologia para Leigos. Rio de Janeiro. Alta Books, 2010.

COLLEN, Alanna. 10% Humano. Rio de Janeiro. Editora Sextante, 2015.

FAINTUCH, Joel. Microbioma, disbiose, probióticos e Bacterioterapia. Barueri - SP. Editora Manole, 2017.

LINHARES, Sérgio & GEWANDSZNAJDER, Fernando. Biologia Hoje. São Paulo: Ed. Ática, 2013.

Prof. Waldez Pantoja
Especialista em Neurociências Clínica
Pós graduando em nutrição funcional e síndrome Metabólica.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Constipação Intestinal



A constipação é uma situação nada agradável e às vezes até bastante dolorosa. Acomete grande parte da população mundial.

Quem não evacua suas fezes pelo menos três vezes por semana, apresenta material fecal ressecado, duro, em pequenas porções, e que exigem muita força para a liberação, pode-se considerar como tendo um quadro de constipação.

Há diferentes tipos e causas de constipação. Algumas são passageiras. Ocorrem por exemplo em viagens por motivo da quebra da regularidade. Outras são provocadas por doenças. Há ainda o estresse como causa da constipação. Mas grande parte está relacionada com a alimentação.

Existem alimentos que podem minimizar ou até mesmo solucionar o problema, tornando o intestino menos preguiçoso.

As fibras

As fibras são alimentos não digeríveis no intestino delgado. As ameixas, por exemplo, são uma fonte de fibras que auxiliam no funcionamento do intestino.

As fibras alimentares direcionam mais líquido para o intestino. Facilitando assim a evacuação. Após cerca de 3 a 4 dias de uso, já se tem uma melhora notável. Há ainda fibras em forma de drágeas vendidas em farmácias.

Hidratação

As fibras tanto podem ajudar quanto piorar o quadro. Para que se tenha ótimos resultados, faz necessário também uma ótima hidratação. Caso contrário, o quadro pode até se agravar.

Muitas horas dentro de um avião, ou ainda muitas horas em ambiente com centrais de ar, perde-se bastante líquido e precisa-se fazer a reposição. Hidratação! Narinas ressecadas pode ser um sinal de desidratação.

Estresse

Sob condição de estresse, as pessoas costumam não seguir um horário regular, e, isso também provoca constipação. Assim que sentir vontade de ir ao banheiro, deve-se cumprir o ritual. A fila de espera do bolo fecal, termina ressecando o material, dificultando assim sua evacuação.

Controlar o estresse pode evitar dias ou até semanas de constipação. Essa é uma das causas frequentes.

Exercícios

Exercício físico de alto impacto, ou constante, ajuda a regular o Intestino. Mas nunca uma ação única e isolada. Se a pessoa costuma fazer exercícios regulares e para por algumas semanas, é natural que se tenha uma resposta negativa. Um quadro de constipação pode se instalar.

Posição

Até a posição no vaso sanitário pode ajudar ou dificultar na hora da evacuação. A melhor maneira é imitar como se estivesse de cócoras. Pode-se inclusive usar um banquinho para elevar as pernas e levemente se curvar para frente.

Doenças

Diabetes e problemas na tireoide, podem também afetar a evacuação. Por isso, é sempre de bom alvitre consultar um médico.

Um estudo de Yale mostrou uma ligação surpreendente entre constipação e infecção por herpes. A descoberta, publicada na Cell Host & Microbe em 2016 avança. A pesquisa sobre o herpes pode ajudar pacientes com doenças gastrointestinais crônicas sem causa clara.

Probióticos e Prebióticos

Uma ótima alternativa são os probióticos e seus aliados. Os Prebióticos. Probióticos são as bactérias vivas que beneficiam seu hospedeiro. Os Prebióticos são os alimentos que nutrem as bactérias. Dessa forma, as bactérias cumprem sua função ajudando nos casos de constipação.

Laxantes

Cuidado com os laxantes. Há diversos tipos. Seja ele qual for, deve-se saber sobre a regra dos três dias.

Alguns laxantes costumam levar a um esvaziamento quase que total de todo material intestinal. Somente após três dias, esse material volta a se recompor.

Por não receber o esclarecimento devido, as pessoas terminam por fazer mais uso de laxantes acreditando que ainda estão sofrendo do quadro de constipação, o que pode se tornar um ciclo vicioso. Em média são necessários três dias para regular o Intestino após o uso de laxantes que levem a evacuação completa.

Medicamentos

Alguns medicamentos também podem gerar um quadro de constipação, ou mesmo agravar o que está estabelecido. Os antibióticos, por exemplo, quando usados indiscriminadamente, terminam por eliminar também as boas bactérias, o que irá agravar o quadro, uma vez que o trabalho no intestino não será realizado por falta de boas bactérias.

Conclusão

O ideal é sempre contar com diversas alternativas tanto para tratar quanto evitar a constipação intestinal. Às vezes, uma única ação isolada, pode não surtir o efeito desejado. Procurar um médico imediatamente antes do agravamento do quadro.

Boa sorte! Saúde.

Prof. Waldez Pantoja.
Esp. Neurociências Clínica
Pós graduando em Nutrição e Síndrome Metabólica.