Muito se ouve falar sobre a intolerância à lactose. Parece haver um certo desencontro nas informações. Muitos confundem a intolerância à lactose com alergia a alguma propriedade do leite, por exemplo. Alergia e intolerância são coisas distintas.
Alergia
A alergia é a resposta inadequada e exagerada do sistema imunitário a substâncias normalmente inofensivas. Às substâncias capazes de desencadear este tipo de respostas chamamos alérgenos. O nosso sistema imunitário possui uma espécie de base de dados sobre os alérgenos que já conhece e do tipo de resposta a dar sempre que os encontrar.
Ou seja, alergias tem a ver com uma resposta do sistema imunológico.
Intolerância
A intolerância é a incapacidade do organismo de absorver uma substância sem a intervenção do sistema imunitário. A intolerância ocorre por faltar uma enzima que as permita metabolizar uma substância. (http://www.medinfar.pt/2014/06/o-que-e-a-alergia.) Acessado em 23/06/2018.
Intolerância à Lactose.
Segundo Siegfried (2010), a lactose é formada quando os monossacarídeos, glicose e a galactose se ligam no mesmo tipo de reação.
A Lactose é um carboidrato, o açúcar do leite. No processo de digestão, a Lactose precisa passar pela quebra da substância, e, essa quebra é realizada por uma enzima chamada lactase. Quando há ausência ou mesmo insuficiência da lactase, a quebra da Lactose não ocorre, o que causa certos distúrbios intestinais.
A quebra da Lactose, tecnicamente chamada de hidrólise, resulta na separação das duas substância anteriormente ligadas: glicose e galactose. Dessa forma, as substâncias são facilmente absorvidas.
Pode-se classificar a deficiência de lactase em três tipos: primária, secundária e congênita.
A deficiência primária diz respeito à baixa quantidade de lactase. O que dificulta a quebra da Lactose. Uma determinante genética que ocorre geralmente após a cessada a amamentação. Os sintomas da deficiência primária, podem aparecer entre 2 a 15 anos de idade, envolvendo condições culturais e raciais. CRUZ et al. (2016, pg 95).
A intolerância secundária refere-se a condições patológicas que afetam a integridade da mucosa intestinal, o que dificulta a produção da enzima lactase.
A intolerância congênita é uma disfunção de herança autossômica recessiva. Recém nascidos podem apresentar a intolerância assim que a amamentação é iniciada.
Há vários sintomas apresentados na intolerância à lactose. Distensão abdominal, flatulência, diarreia, produção de gases em excesso, e outros.
A lactose quando não hidrolisada no intestino delgado, passa para o intestino grosso e é fermentada pela microbiota ali existente. Esse processo gera ácido e gases resultando em flatulência. Há ainda diversos sintomas sistêmicos. Dor de cabeça e vertigens são alguns desses sintomas.
Dados estatísticos
No Brasil brancos e mulatos representam 57% dos intolerantes a Lactose, atingindo quase 100% dos japoneses 80% dos negros.
Os grãos de Kefir contribuem com a hidrólise da lactose. Quebram o polissacarídio facilitando assim a digestão. Mesmo intolerantes, a depender do nível de Intolerância, absorvem bem o Kefir sem causar reações significativas.
Dada a alta prevalência da intolerância à lactose na população mundial, recomenda-se iniciar a ingestão em pequenas doses. O mais importante em relação aos benefícios, é realmente a frequência e não a quantidade ingerida. 50ml é um indicação que tem surtido efeito tanto em humanos quanto em animais quando sob investigação.
Bibliografia
FRANCIS, Richard. Epigenética. Rio de Janeiro. Editora Zahar, 2011.
HOUZEL, Suzana. A vantagem Humana. São Paulo. Companhia das Letras, 2017.
MYERS, Amy. Doenças Autoimunes. São Paulo. Editora WMF, 2017.
PERLMUTTER, David. Amigos da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2015.
PERLMUTTER, David. A dieta da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2016.
SIEGFRIEND, Donna. Biologia para Leigos. Rio de Janeiro. Alta Books, 2010.
LINHARES, Sérgio & GEWANDSZNAJDER, Fernando. Biologia Hoje. São Paulo: Ed. Ática, 2013.
CHALLA, Shekhar. Probióticos para leigos. Starlin Alta Editora e Consultoria Eireli, Rio de Janeiro, 2014.
CRUZ et al. Processamento de produtos lácteos. Volume 3. Elsevier editora, 2017.
CRUZ et al. Química, bioquímica, análise sensorial no processamento de leite e derivados. Elsevier editora, 2017.
Crédito:
Prof. Waldez Pantoja
Espec. Neurociências Clínica

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