sábado, 6 de abril de 2019

Saúde Mental & Probióticos



INTRODUÇÃO

A ansiedade é um entre tantos males que assolam a civilização moderna. Acompanhando a ansiedade vem, a depressão, síndrome do pânico, angústia, estresse, insônia e agressividade, entre outros distúrbios relacionados. Mas, para todos esses sintomas, há sempre uma causa, e também a cura.

A ciência não tem medido esforços em busca de melhor compreender as causas, os fatores que desencadeiam tais transtornos que afetam desde crianças até idosos.

Os resultados recentes das pesquisas evidenciam que micróbios intestinais podem influenciar áreas no córtex pré-frontal e na amígdala, regiões cerebrais associadas à depressão, ansiedade e vários outros distúrbios.

Esta é a conclusão de uma pesquisa publicada no jornal de acesso aberto MicroBiome. O estudo concluiu que as bactérias intestinais podem influenciar o comportamento, segundo o Dr. Gerard Clarke, autor da pesquisa.

Fonte: BioMed Central.

As pesquisas

Pesquisas anteriores já demonstravam que a manipulação do microbioma intestinal afeta o comportamento. Até porque diversos hormônios são produzidos no intestino. Entre eles a Serotonina (hormônio relacionado ao bem estar) e o GABA. A ação inibitória e excitatória do neurotransmissor GABA, está relacionada com o comportamento agressivo e impulsividade em humanos. Hormônios estão sempre a "influenciar" uns aos outros.

Os resultados de pesquisa publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, também conclui que bactérias intestinais influenciam o comportamento do hospedeiro, tanto animais quanto humanos.

As bactérias interagem com o cérebro enviando sinais químicos por meio de um nervo chamado pneumogástrico, ou nervo vago como também é conhecido. Esta é uma descoberta recente.

Esse nervo conecta o cérebro a vários órgãos internos, como os pulmões, intestino e inclusive o coração. É através dele que o cérebro percebe como estão estes órgãos e responde aos sinais eletroquímicos.

Foco na causa

Sabendo que as bactérias intestinais podem afetar o funcionamento cerebral, desde o humor, apetite e ritmos circadianos, a Ideia é o acesso direto, foco nas bactérias usando tanto os probióticos quanto os prebióticos e paraprobióticos.

A psicobiótica

Psicobióticos são definidos como probióticos que, quando ingeridos, influenciam positivamente a saúde mental (Dinan, Stanton & Cryan, 2013).

Os psicobióticos podem reduzir o estresse, a ansiedade, melhorar o humor, é inclusive alterar o comportamento.

Busca-se estratégias para inserir bactérias no intestino que alterem também a resposta cerebral. As perguntas ainda são muitas, mas avançamos. - Quais dessas bactérias alteram o que exatamente, e, em que proporção? É uma dessas perguntas que vem sendo respondidas.

O termo psicobiótico é recente, falta ainda uma melhor definição. Mas entende-se a relação tanto dos probióticos quanto prebióticos e paraprobióticos com funções cerebrais. Somente nos últimos 15 anos as pesquisas se intensificaram em busca da relação intestino e funções cerebrais.

Estudo publicado na revista on-line, Frontiers in Behavioral Neuroscience, Monika Fleshner, da Universidade do Colorado, Boulder, nos diz que a ingestão regular de prebióticos pode estimular bactérias intestinais benéficas e promove a recuperação de padrões de sono normais após um episódio estressante. O estresse agudo pode perturbar o microbioma intestinal, diz também o pesquisador Dr. Agnieszka Mika, co-autor da pesquisa.

Os probióticos em ação

• Tomar um probiótico durante a gravidez pode ajudar a prevenir ou reduzir a depressão pós-Natal e sintomas de ansiedade.

Fonte: Universidade de Auckland.

• O Lactobacillus probiótico pode reverter sintomas de ansiedade. Estudo de laboratório em camundongos, pode confirmar o achado em humanos também.

Fonte: University of Virginia Health System

• Pesquisadores da Universidade do Missouri, usando um modelo de peixe zebra, determinaram que um probiótico comum vendido em suplementos e iogurte pode diminuir o comportamento e a ansiedade relacionados ao estresse.

Fonte: Universidade do Missouri.

• Em um novo ensaio clínico, os cientistas mostram que uma dose diária de bactérias Lactobacillus probióticas e Bifidobacterium tomadas ao longo de um período de apenas 12 semanas é suficiente para produzir uma melhora moderada, mas significativa em pacientes idosos de Alzheimer.

Fonte: Mischa Dijkstra - Frontiers

• Estudo reafirma o vínculo entre bactérias intestinais e alterações na função intestinal e cerebral.

Fonte: McMaster University.

• Um novo estudo relata o papel que os gasotransmissores, (substâncias gasosas produzidas no intestino), desempenham no comportamento e na questões psicológicas.

Fonte: Lomonosov Moscow State University.

• O uso de probióticos ajudam a administrar gases para melhorar a saúde humana e promover um comportamento adequado.

Fonte: Vladimir Koryagin - Lomonosov Universidade Estadual de Moscou

Não é difícil entender e compreender a importância do sistema gastrointestinal e toda a microbiota envolvida em diversas funções, tantos físicas quanto mentais altamente complexas. Uma relação intestino cérebro com seus 86 bilhões de neurônios.

O frio na barriga, aquela cólica terrível face a um trauma ou forte emoção, um desarranjo intestinal antes de uma prova, exame. A espera de uma resposta que causa ansiedade e nos afeta também o intestino. Elo devidamente estabelecido. Intestino/cérebro.

Ignorada por muitos, que muitas vezes preferem se automedicar com antibióticos até para gripes e resfriados, coisa que não funciona, A DISBIOSE pode trazer consequências graves a saúde, tanto física quanto mental. Ela ocorre quando a quantidade de bactérias benéficas se encontra em número inferior em relação as patogênicas.

Conclui-se que, a consciência alimentar, significa saúde também, quando adquirimos conhecimento que nos beneficia e colocamos em prática. Saber e não usar aquilo que se sabe, é o mesmo que não saber.

Saúde!

Bibliografia

FRANCIS, Richard. Epigenética. Rio de Janeiro. Editora Zahar, 2011.

HOUZEL, Suzana. A vantagem Humana. São Paulo. Companhia das Letras, 2017.

MYERS, Amy. Doenças Autoimunes. São Paulo. Editora WMF, 2017.

PERLMUTTER, David. Amigos da Mente. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2015.

PERLMUTTER, David. A dieta da Mente para a vida. São Paulo. Editora Schawarca S.A. 2016.

SIEGFRIEND, Donna. Biologia para Leigos. Rio de Janeiro. Alta Books, 2010.

COLLEN, Alanna. 10% Humano. Rio de Janeiro. Editora Sextante, 2015.

FAINTUCH, Joel. Microbioma, disbiose, probióticos e Bacterioterapia. Barueri - SP. Editora Manole, 2017.

LINHARES, Sérgio & GEWANDSZNAJDER, Fernando. Biologia Hoje. São Paulo: Ed. Ática, 2013.

Prof. Waldez Pantoja
Especialista em Neurociências Clínica
Pós graduando em nutrição funcional e síndrome Metabólica.

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